O Banco do Nordeste prevê disponibilizar R$ 60,9 bilhões do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) ao longo de 2027. O anúncio foi feito em 3 de setembro de 2026, em Fortaleza, e representa o maior volume de recursos programado na história do fundo, segundo o banco. A previsão ainda será submetida às etapas de discussão e aprovação previstas para a definição do orçamento anual.
O montante estimado é 15,9% superior ao volume programado para 2026. Os recursos deverão financiar projetos produtivos nos nove estados nordestinos, além de municípios do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo que fazem parte da área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
De acordo com o Banco do Nordeste, a programação poderá apoiar a modernização de atividades econômicas, a expansão de cadeias produtivas, a geração de empregos e a criação de novos negócios na região.
Quais setores poderão receber os recursos
A previsão contempla diferentes áreas da economia regional. Entre os setores citados estão agricultura, pecuária, comércio, serviços, indústria, turismo e infraestrutura. Na prática, a programação poderá alcançar tanto empreendimentos urbanos quanto atividades rurais e projetos de maior porte ligados ao desenvolvimento econômico.
O FNE também poderá ser utilizado para financiar investimentos de modernização e expansão da produção. A definição das condições de acesso, das prioridades e da distribuição entre os segmentos econômicos, porém, depende da programação final que será discutida pelas instituições e entidades envolvidas.
Um dos focos anunciados é o atendimento a micro e pequenas empresas e a beneficiários do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado. Segundo o presidente do Banco do Nordeste, pelo menos 62% dos recursos deverão ser destinados a públicos considerados prioritários. Na previsão de 2027, esse percentual corresponde a mais de R$ 37,8 bilhões.
Como será definida a distribuição do FNE
O Banco do Nordeste informou que, durante setembro de 2026, seriam realizadas reuniões com representantes dos governos estaduais, entidades empresariais, produtores rurais e outros segmentos produtivos. Esses encontros têm o objetivo de discutir as necessidades de cada estado e contribuir para a elaboração da programação regional do fundo.
A proposta definitiva deverá ser aprovada até dezembro de 2026 pelo Conselho Deliberativo da Sudene. A execução dos recursos está prevista para começar em janeiro de 2027, após a conclusão das etapas de planejamento e aprovação.
Os valores estaduais já começaram a ser debatidos. Em Pernambuco, a proposta apresentada prevê mais de R$ 7,28 bilhões do FNE para 2027, conforme divulgado pelo Banco do Nordeste. No Ceará, o planejamento estadual aponta R$ 8,14 bilhões, enquanto a proposta discutida para a Bahia chega a aproximadamente R$ 12,8 bilhões.
O que é o FNE
O Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste é uma das principais fontes de crédito voltadas ao desenvolvimento econômico da área de atuação da Sudene. Por meio dele, o Banco do Nordeste financia atividades produtivas em estados nordestinos e em municípios específicos de Minas Gerais e do Espírito Santo.
A aplicação dos recursos busca ampliar o acesso ao crédito para empresas, produtores rurais, comerciantes, prestadores de serviços e outros empreendedores. A programação também permite direcionar parte do financiamento para setores considerados estratégicos, de acordo com as prioridades regionais e as regras aprovadas para cada exercício.
Estimativas do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), citadas pelo banco, apontam que os recursos do FNE aplicados em 2025 produziram efeitos sobre a produção, o valor adicionado à economia, a massa salarial e a arrecadação tributária. Esses resultados são apresentados pelo Banco do Nordeste como indicativo da relevância do crédito regional para a atividade econômica.
Apesar da previsão de R$ 60,9 bilhões, a divisão final por estado, setor e modalidade de financiamento ainda depende das discussões previstas para os próximos meses. Para empresas, produtores e gestores públicos interessados, o acompanhamento das reuniões estaduais e da aprovação pelo Conselho Deliberativo da Sudene será importante para conhecer as linhas que estarão disponíveis a partir de 2027.
