Seca atinge 90% do Nordeste e alcança nível grave em 16% da região, aponta ANA

Redação Cabra Macho News
Redação Cabra Macho News

A seca no Nordeste avançou e atingiu 90% da área da região em agosto de 2026, segundo a atualização mais recente do Monitor de Secas, divulgada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) em 21 de setembro. O levantamento indica que o Nordeste apresentou o cenário mais severo entre as cinco regiões brasileiras monitoradas, com seca grave em 16% do território.

O fenômeno se intensificou entre julho e agosto em diferentes estados. Na Bahia, a área afetada passou de 90% para 94% do território. No Ceará, o avanço foi de 30% para 88%, enquanto no Maranhão a presença da seca aumentou de 45% para 83%. Também houve expansão da área atingida em Alagoas, Piauí e Sergipe, reforçando a pressão sobre os recursos hídricos e as atividades econômicas dependentes das chuvas.

Bahia e Piauí estão entre os estados mais afetados

A Bahia apresentou a maior severidade do fenômeno entre os estados nordestinos em agosto. A classificação de seca grave voltou a aparecer em 36% do território baiano, no pior nível registrado no estado desde janeiro de 2026. O Piauí, por sua vez, teve seca em 100% de sua área, com ocorrência de seca grave em 6% do território.

Em Alagoas, a seca passou a atingir 69% do estado, ante 66% em julho. A parcela classificada como seca moderada também cresceu, de 30% para 42%. No Ceará, embora o fenômeno tenha alcançado a maior parte do território, predominou a categoria de seca moderada.

Pernambuco manteve 91% do território sob influência da seca, com retorno da classificação grave em 28% do estado. No Rio Grande do Norte, a área afetada permaneceu em 79%, mas a seca moderada avançou de 15% para 25%. Em Sergipe, o índice subiu de 49% para 70%, enquanto a parcela moderada passou de 11% para 22%.

A Paraíba continuou com seca em 85% do território e manteve seca moderada em 45% da área. No Maranhão, a classificação moderada voltou a ser registrada em 4% do estado, representando o pior resultado desde fevereiro de 2026. Os dados mostram que a intensidade e a distribuição do fenômeno variam entre os estados e também podem ser diferentes de um município para outro.

Calor e pouca chuva ampliam a pressão sobre a água

A atualização da ANA ocorre em um período de temperaturas elevadas e previsão de chuvas abaixo da média em partes do Nordeste. Em boletim divulgado no fim de agosto, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicou precipitação inferior ao normal para a faixa leste da região, incluindo áreas do Rio Grande do Norte, Paraíba, Bahia, Sergipe e Alagoas. A previsão também apontou temperaturas acima da média em todo o Nordeste durante setembro.

A combinação entre menor volume de chuva e calor mais intenso pode aumentar a demanda por água nas cidades, nas comunidades rurais e nos polos de produção agrícola. O Inmet indicou risco de restrição hídrica para lavouras de milho de terceira safra no Agreste e no Sertão de Pernambuco, no leste de Alagoas e no nordeste da Bahia.

As condições climáticas também podem pressionar sistemas de irrigação no Vale do São Francisco e no Vale do Jaguaribe. Na pecuária extensiva, a redução da disponibilidade de pastagens tende a elevar as dificuldades enfrentadas pelos produtores, especialmente em áreas que dependem da regularidade das chuvas para manter a produção.

Estiagem exige atenção das autoridades de saúde

Além dos efeitos sobre o abastecimento e a produção rural, a estiagem combinada com altas temperaturas pode afetar diretamente a saúde da população. O Ministério da Saúde informou que esse cenário aumenta os riscos de desidratação, doenças diarreicas, problemas cardiorrespiratórios, insegurança alimentar e proliferação de arboviroses, como a dengue.

Segundo a pasta, o Nordeste conta com uma base da Força Nacional do SUS em Salvador, e estão previstas outras unidades em Recife e Fortaleza. Os Centros de Informação em Saúde e Clima instalados em Salvador e Fortaleza acompanham temperaturas extremas e os níveis de estiagem. As estruturas podem apoiar alertas, mapas de calor, preparação das equipes locais e envio antecipado de medicamentos.

Dados municipais ajudam a orientar a resposta

A ANA informou ainda que o Monitor de Secas passou a disponibilizar novos produtos com recorte municipal. Entre eles estão os indicadores de Seca Relativa Máxima, Persistência de Seca Relativa Máxima e Persistência de Seca por Categoria. As ferramentas permitem observar a intensidade do fenômeno, sua duração e a continuidade em cada município.

As informações podem auxiliar gestores na definição de medidas para abastecimento, distribuição de água, defesa civil, atendimento em saúde e apoio à produção rural. A situação requer atenção especial nos municípios em que a estiagem se combina com calor elevado, menor disponibilidade de reservatórios e dependência da agricultura de sequeiro.

Os dados não significam que todos os municípios nordestinos enfrentarão os mesmos impactos. O Monitor de Secas diferencia os níveis de intensidade e a área atingida em cada estado. Ainda assim, a atualização confirma que o Nordeste concentrava, em agosto, o cenário mais crítico do país e que a seca avançou por uma parcela significativa da região.

Compartilhe este artigo