Nordeste tem baixa formalização de trabalhadores por conta própria, aponta IBGE

Redação Cabra Macho News
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O Nordeste registrou a segunda menor proporção de empregadores e trabalhadores por conta própria com registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) em 2025. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de formalização na região foi de 20,1%.

O índice nordestino ficou acima apenas do observado na Região Norte, que alcançou 15,6%. No Sul, a proporção chegou a 46,7%, enquanto Sudeste e Centro-Oeste registraram 41,6% cada. Considerando todo o país, aproximadamente 35% dos empregadores e trabalhadores por conta própria tinham CNPJ no período analisado.

Diferença entre autônomos e empregadores

O levantamento considera dois grupos distintos. O trabalhador por conta própria exerce sua atividade sem ter empregados, enquanto o empregador trabalha por conta própria e possui pelo menos uma pessoa ocupada sob sua responsabilidade. Ter um CNPJ, portanto, não significa necessariamente administrar uma empresa de grande porte ou manter uma equipe de funcionários.

No Nordeste, a diferença entre os grupos é expressiva. Entre os trabalhadores por conta própria, apenas 13,7% tinham CNPJ em 2025. Já entre os empregadores, a proporção de formalização alcançou 67,6%. Os números mostram que o registro empresarial é muito mais frequente entre aqueles que já empregam outras pessoas.

O indicador analisado pelo IBGE mede especificamente a existência de CNPJ entre esses trabalhadores. Por isso, ele não representa sozinho todas as dimensões da informalidade nem permite apontar, isoladamente, as causas das diferenças entre as regiões brasileiras.

Formalização avançou no país, mas maioria ainda não tem CNPJ

Em escala nacional, a proporção de trabalhadores por conta própria com CNPJ chegou a 27,1% em 2025, o maior nível da série histórica iniciada em 2012. Apesar do avanço, a maioria desse grupo ainda atuava sem registro empresarial, cenário que também ajuda a compreender o resultado observado no Nordeste.

Segundo informações divulgadas pela Agência Gov, a formalização pode estar associada a possibilidades como emissão de notas fiscais, acesso a determinadas linhas de crédito, participação em compras públicas e contribuição para a Previdência Social. Esses efeitos, no entanto, dependem da situação de cada trabalhador e não ocorrem automaticamente apenas com a obtenção do CNPJ.

Para autônomos, pequenos comerciantes, prestadores de serviços e outros profissionais independentes, o registro pode representar uma forma de organizar a atividade econômica e ampliar o acesso a relações comerciais formais. Ao mesmo tempo, custos, exigências administrativas, falta de informação e dificuldades de acesso a serviços de apoio podem influenciar a decisão de buscar ou manter a formalização. A pesquisa do IBGE não identifica, por si só, o peso de cada um desses fatores.

Mulheres tiveram proporção maior de formalização

Os dados também apontam diferenças por gênero. No conjunto formado por empregadores e trabalhadores por conta própria, 36,7% das mulheres tinham CNPJ em 2025, ante 34,2% dos homens. Considerando somente os trabalhadores por conta própria, os percentuais foram de 29,3% entre as mulheres e 25,9% entre os homens.

O resultado oferece um recorte sobre a participação feminina em atividades independentes e no empreendedorismo, mas não detalha as razões para a diferença entre homens e mulheres. Também não permite concluir que a formalização tenha ocorrido de maneira uniforme entre os estados e municípios nordestinos.

O que os dados mostram sobre o Nordeste

O Nordeste reúne uma proporção relevante de trabalhadores que dependem de atividades autônomas para gerar renda. Nesse contexto, os 20,1% registrados em 2025 indicam que a formalização por meio do CNPJ ainda alcançava uma parcela minoritária dos empregadores e trabalhadores por conta própria da região.

A leitura dos números deve considerar que o CNPJ é apenas um dos indicadores relacionados à organização dos negócios. O levantamento não mede todas as condições de trabalho, a renda, a contribuição previdenciária ou o acesso efetivo a crédito de cada pessoa. Ainda assim, a informação ajuda a dimensionar a distância entre o Nordeste e as regiões com maiores taxas de registro empresarial.

A divulgação integra a PNAD Contínua: Características Adicionais do Mercado de Trabalho 2025, apresentada pelo IBGE. Os dados permitem acompanhar a evolução da formalização no país e observar como o acesso ao CNPJ se distribui entre diferentes grupos de trabalhadores e regiões brasileiras.

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