Nordeste vai ganhar rede de 1,2 mil km de fibra óptica para atrair data centers

Diego Velázquez
Diego Velázquez

BNDES aprova R$ 73,8 milhões para nova infraestrutura de internet entre Recife e Fortaleza, beneficiando mais de 11 milhões de pessoas em 214 municípios

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 73,8 milhões para que a empresa Aloo Telecom construa uma nova rede subterrânea de fibra óptica de alta capacidade no Nordeste. O projeto prevê a instalação de 1,2 mil quilômetros de cabos em 12 municípios do interior de Pernambuco, Paraíba e Ceará, criando uma rota alternativa de tráfego de dados entre Recife e Fortaleza.

Os recursos vêm do programa BNDES Fust, ligado ao Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações, que existe desde o ano 2000 com o objetivo de ampliar o acesso à internet e reduzir desigualdades regionais na oferta de conectividade. Segundo o BNDES, a expansão da rede da Aloo Telecom deve beneficiar mais de 11,2 milhões de pessoas distribuídas em 214 municípios nordestinos.

Como o projeto deve mudar a conectividade na região

Segundo o Ministério das Comunicações, a nova infraestrutura vai ampliar a segurança, a disponibilidade e a velocidade de transmissão de dados na região, criando uma rota adicional entre dois dos principais polos de telecomunicações do Nordeste. A avaliação do setor é de que o reforço na capacidade de tráfego deve tornar a região mais atrativa para novos investimentos em infraestrutura digital, incluindo a instalação e expansão de data centers.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que ampliar o acesso à banda larga de qualidade no Nordeste é uma prioridade do banco, associando a conectividade a condições de cidadania e desenvolvimento. Para ele, a nova rota entre Recife e Fortaleza deve preparar a região para participar de forma mais ativa da chamada economia de dados, com potencial de geração de emprego e renda em áreas que historicamente têm menos investimento em infraestrutura digital.

Fortaleza, em especial, já vem se consolidando como uma porta de entrada estratégica para dados na América Latina, beneficiada pela concentração de cabos submarinos internacionais que conectam o Brasil à América do Norte, à Europa e à África. A cidade recebeu recentemente outro aporte de R$ 230 milhões destinado à expansão de data centers na região, com redes que já somam 12 mil quilômetros de fibra óptica e mais de 600 estações radiobase instaladas.

Nordeste amplia investimento em inovação além da conectividade

O anúncio da nova rede de fibra óptica se soma a outros movimentos recentes de fortalecimento do ecossistema tecnológico nordestino. Em Pernambuco, o Porto Digital lançou uma nova plataforma de negócios voltada a startups, com investimento de R$ 18,5 milhões, além de um plano de interiorização que prevê R$ 51 milhões até 2028 para levar infraestrutura de inovação a cidades como Petrolina, Garanhuns e Araripina.

Segundo levantamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Nordeste já conta com 19 parques tecnológicos entre operação, implantação e planejamento, o equivalente a 17% do total nacional mapeado pelo órgão. Estados como Pernambuco, Paraíba, Ceará, Sergipe e Bahia concentram os projetos mais consolidados, enquanto novas iniciativas avançam em locais que até recentemente não contavam com nenhuma estrutura do tipo, caso do Parque Tecnológico de São Luís, no Maranhão.

O investimento do BNDES Fust reforça essa tendência ao atacar um gargalo estrutural apontado por especialistas em tecnologia: a concentração de infraestrutura digital nas capitais e regiões metropolitanas, deixando municípios do interior com menor qualidade de conexão e, consequentemente, menos atrativos para empresas de base tecnológica.

O que esperar dos próximos passos

Desde 2023, o BNDES já aprovou cerca de R$ 3 bilhões em projetos financiados pelo Fust em todo o país, beneficiando quase 500 provedores de internet, a maioria formada por micro, pequenas e médias empresas, em mais de 1,2 mil municípios brasileiros. A obra da Aloo Telecom entre Recife e Fortaleza deve seguir esse mesmo modelo de execução, com prazo de implantação previsto para os próximos anos.

Para o setor de tecnologia no Nordeste, a expectativa é de que a melhoria na infraestrutura de conectividade funcione como base para atrair fabricantes e operadores de data centers que hoje concentram seus investimentos no Sudeste do país, aproveitando o menor custo operacional e a posição estratégica da região Nordeste para o tráfego internacional de dados.

Fontes consultadas:
Agência BNDES de Notícias
Ministério das Comunicações
Tele.Síntese

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