Goiás deve ampliar a produção de girassol na safra 2025/26, com estimativa de colher 71,8 mil toneladas da cultura. A área plantada pode alcançar 63 mil hectares, avanço expressivo em relação aos 16,6 mil hectares registrados na safra 2016/17. Os dados foram divulgados em 25 de setembro de 2026 pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa).
O crescimento reforça a presença do girassol como alternativa para a segunda safra no estado, especialmente em áreas utilizadas anteriormente para o cultivo de soja. A cultura tem despertado o interesse de produtores por apresentar maior tolerância à seca, menor incidência de pragas em determinadas condições e possibilidades de aproveitamento em diferentes segmentos da indústria.
Área cultivada cresce, mas produtividade recua
De acordo com o levantamento da Seapa, a produção projetada para 2025/26 representa aumento de 229,4% em comparação com a safra 2021/22. Apesar da expansão do volume total, a produtividade média estimada é de 1,1 tonelada por hectare, abaixo das 1,6 tonelada por hectare registradas em 2024/25.
A diferença mostra que o aumento da área plantada não resulta automaticamente em maior rendimento por hectare. O desempenho das lavouras depende de fatores como o regime de chuvas, o momento do plantio, a disponibilidade de água e as condições de formação dos grãos. Por isso, a expansão da cultura convive com desafios técnicos e climáticos que podem afetar a rentabilidade dos produtores.
O documento também informa que a colheita havia alcançado 72% da área cultivada, conforme o 11º levantamento da safra 2025/26 citado pela secretaria. O percentual indica avanço das operações no estado, mas os resultados finais ainda dependem da conclusão da colheita e da consolidação dos dados de produtividade.
Chuvas irregulares afetam rendimento das lavouras
A distribuição das chuvas foi um dos principais fatores de diferenciação entre as regiões produtoras. Segundo a Seapa, as lavouras localizadas no sul de Goiás encontraram condições mais favoráveis durante o ciclo. Em outras áreas, a restrição hídrica prejudicou a formação dos grãos e reduziu tamanho, peso e qualidade do produto.
O cenário é relevante porque o girassol costuma ser utilizado como opção de cultivo na segunda safra, período em que a disponibilidade de água pode ser mais limitada no Cerrado. A tolerância relativa à seca contribui para a escolha da cultura, mas não elimina os efeitos de umidade insuficiente em fases decisivas do desenvolvimento das plantas.
Na prática, os dados indicam que a diversificação agrícola pode ampliar as alternativas disponíveis aos produtores, desde que acompanhada de planejamento, escolha adequada da janela de plantio e avaliação das condições de mercado. A produtividade inferior à do ciclo anterior evidencia que o clima continua sendo um fator central para o desempenho da atividade.
Rio Verde lidera entre os municípios produtores
Entre os municípios citados no levantamento estão Rio Verde, Chapadão do Céu, Montividiu e Goiandira. Rio Verde, no sudoeste goiano, aparece como um dos principais polos da produção estadual. Em 2024, o município respondeu por 12,7% da produção de girassol de Goiás e ocupou a primeira posição no ranking nacional municipal mencionado pela secretaria.
A concentração de áreas produtoras em municípios com forte presença do agronegócio pode favorecer a integração entre lavouras, armazenagem, transporte e processamento. No entanto, o avanço da produção agrícola ainda precisa ser acompanhado pela ampliação da infraestrutura e dos canais de comercialização para que os ganhos da cadeia alcancem diferentes elos.
Agroindústria é oportunidade para agregar valor
O girassol pode ser destinado à fabricação de óleo comestível, ração animal, cosméticos, biocombustíveis e alimentos industrializados. Os coprodutos do processamento também podem ser aproveitados na alimentação animal, ampliando o potencial econômico da cultura além da venda do grão.
Embora Goiás esteja aumentando a área plantada e a produção, o fortalecimento da agroindústria local aparece como uma oportunidade ainda a ser explorada. A instalação ou expansão de unidades de processamento pode agregar valor à matéria-prima, estimular a produção de óleo e reduzir a dependência brasileira de importações.
Esse movimento, porém, depende de investimentos, demanda estável e capacidade de coordenação entre produtores, indústria e agentes de comercialização. Por isso, a expansão do girassol em Goiás representa tanto uma frente de diversificação no campo quanto um desafio para transformar o crescimento da produção em desenvolvimento mais amplo da cadeia.
