Nordeste será a região que mais cresce no Brasil em 2026, e os números impressionam

Diego Velázquez
Diego Velázquez

Projeções do Banco do Brasil apontam crescimento de 3,2% para a região, resultado 60% acima da média nacional estimada para o período

O Nordeste vive um momento econômico que poucos apostavam ser possível há menos de uma década. Segundo projeções divulgadas pelo BB Assessoramento Econômico, a região deve avançar 3,2% em 2026, desempenho superior ao das demais regiões do país e 60% acima da média nacional estimada para o período, de 2,0%. O resultado coloca o Nordeste à frente de todas as outras regiões brasileiras, incluindo Norte, Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Lide

O que chama atenção não é só o número, mas o que está por trás dele. Em vez de depender de um único motor econômico, o Nordeste apresenta expansão simultânea em diferentes frentes. As projeções apontam crescimento de 4,0% para o setor agropecuário, 2,6% para a indústria e 3,1% para os serviços, formando uma base mais equilibrada para a atividade econômica. É esse equilíbrio que diferencia o desempenho regional do restante do país, onde a dependência de setores específicos cria maior vulnerabilidade. Lide

Para quem acompanha o cotidiano das cidades nordestinas, os reflexos dessa transformação já aparecem nas obras, nos empregos e na movimentação do comércio. Mas até que ponto esse crescimento vai chegar ao bolso do trabalhador comum? E quais estados puxam esse resultado?

O campo como força central da virada econômica

O agronegócio nordestino atravessa uma fase de expansão que vai muito além do sertão historicamente associado à seca. O Nordeste aparece, ao lado da região Sul, como uma das únicas áreas do país com previsão de aumento na produção de grãos em 2026. Após incorporar 1,9 milhão de toneladas à safra em 2025, a região deve registrar crescimento adicional de 7,8% na produção, impulsionado principalmente pelas culturas de soja e milho. Lide

Os estados que lideram esse avanço concentram-se no Oeste nordestino, onde a fronteira agrícola avança sobre o cerrado. Os destaques ficam para os estados do Piauí, Maranhão e Bahia, que devem liderar a expansão agrícola regional. O chamado MATOPIBA, que abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, consolidou-se nos últimos anos como uma das regiões mais dinâmicas do agronegócio nacional e segue ganhando força. Lide

Esse crescimento do campo tem efeito cascata. Ele movimenta transportadoras, beneficiadoras, cooperativas e o comércio dos municípios do interior. Cidades médias como Barreiras, Luís Eduardo Magalhães e Bom Jesus do Piauí tornaram-se polos de serviços e logística que há 20 anos eram inexpressivos no mapa econômico brasileiro. A infraestrutura ainda é um gargalo, mas os investimentos em rodovias e ferrovias, incluindo os avanços da Transnordestina, começam a aparecer na cadeia produtiva.

Por que esse crescimento pode ser diferente dos anteriores

Uma questão legítima que o leitor pode ter é se esse desempenho vai se sustentar ou se é mais um ciclo curto de prosperidade antes de um período de retração. A resposta está na diversificação. Em um cenário nacional marcado por juros elevados e desaceleração econômica, as projeções do Banco do Brasil indicam que o Nordeste deve se consolidar como a principal fronteira de crescimento do país em 2026, sustentado por uma combinação de investimentos, diversificação produtiva e expansão do agronegócio. Lide

Além do campo, outros setores contribuem para esse momento. As energias renováveis, especialmente eólica e solar, transformaram estados como Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia em exportadores de energia. O turismo também cresce, apoiado por novos voos internacionais e infraestrutura hoteleira. E o ecossistema de tecnologia e inovação, com startups surgindo em Recife, Fortaleza e Salvador, adiciona uma camada de modernidade à economia regional.

Vale lembrar que crescimento econômico não significa necessariamente redução das desigualdades. Os dados do IBGE ainda mostram que o Nordeste concentra os menores índices de renda per capita do país. O desafio dos governos estaduais é garantir que a expansão do PIB se traduza em melhores condições para quem está na base da pirâmide social: os trabalhadores informais, os agricultores familiares e as famílias que vivem em periferias urbanas. O crescimento chegou. A questão é para quem.

Fontes: LIDE Notícias | Agência Brasil | IBGE

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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