Como sugere o empresário serial Ian Cunha, a liderança em crise exige serenidade operacional, e costuma tratar esse tema como um teste definitivo de maturidade empresarial. Quando o ambiente muda rápido, a mente tenta responder com mais esforço, mais controle e mais reuniões. O efeito costuma ser o contrário: dispersão, fadiga e decisões apressadas, seguidas de correções ainda mais caras.
Dessa forma, manter foco em crise é menos sobre fazer tudo e mais sobre estabilizar o essencial, reduzir ruído e definir critérios claros de escolha. Se você está atravessando mudanças simultâneas e precisa preservar direção, velocidade e qualidade de decisão, continue a leitura e aplique estes princípios para proteger o que sustenta o resultado.
Por que o foco se perde com facilidade?
Em cenários instáveis, o cérebro prioriza ameaça e urgência. À vista disso, problemas pequenos ganham um peso desproporcional e prioridades competem entre si. Além disso, a equipe tende a buscar segurança em atividade visível, o que aumenta a sensação de produtividade, mas nem sempre aumenta impacto.

Como observa Ian Cunha, empresário serial, o risco mais comum é transformar crise em um estado permanente. Quando tudo vira emergência, desaparece a diferença entre o que é importante e o que é apenas barulhento. Por conseguinte, o líder precisa declarar, com firmeza, quais resultados não podem oscilar, mesmo que o caminho de execução precise se adaptar.
Estabilizar o essencial antes de correr atrás do resto
Em crise, o primeiro movimento estratégico é definir o que precisa permanecer estável. No intuito de preservar o foco, três frentes costumam ser inegociáveis: fluxo de caixa, entrega ao cliente e coordenação interna. Se uma dessas áreas perde previsibilidade, o negócio passa a operar no improviso.
Tendo como referência experiências de crescimento sob pressão, Ian Cunha, fundador, reforça a importância de separar sobrevivência de otimização. Ao longo de sua trajetória, fundou mais de 30 empresas, algumas de grande sucesso e conhecidas pelo grande público, e esse repertório evidencia uma lição prática: em crise, a empresa não vence por fazer mais, mas por reduzir a variabilidade nas decisões críticas.
Para sustentar essa estabilidade, é útil limitar o número de prioridades ativas. Em vez de dez frentes simultâneas, selecione poucas com ligação direta aos resultados centrais. Em seguida, tudo o que não contribui para essas frentes vira fila, não vira disputa.
Decidir rápido sem sacrificar a qualidade
Decisão em crise precisa de velocidade, porém com critério. Consoante boas práticas de gestão, um filtro simples melhora escolhas: impacto no caixa, impacto no cliente, impacto no time. Se uma iniciativa não melhora nenhum desses pontos no horizonte imediato ou não protege o futuro próximo, ela deve esperar.
Como sugere Ian Cunha, CEO, decisões melhores surgem quando o líder distingue o que é reversível do que é difícil de reverter. Medidas reversíveis pedem ação rápida e revisão curta. Medidas irreversíveis pedem análise proporcional, mesmo sob pressão. Dessa forma, a empresa ganha agilidade sem cair em movimentos que criam danos permanentes.
Outro ajuste útil é definir um “prazo de decisão” por tipo de tema. Assuntos operacionais podem ter resposta em horas; temas estratégicos podem exigir dias, mas nunca indefinidos. Com isso, o time entende o ritmo e deixa de improvisar caminhos paralelos.
Aprender rápido e transformar tensão em melhoria do sistema
Crises revelam fraquezas estruturais: dependência de poucas pessoas, processos frágeis, decisões confusas, excesso de iniciativas. À luz disso, é útil registrar o que falhou e por quê, com franqueza e sem caça às bruxas. O objetivo é melhorar o sistema, não punir o mensageiro.
Uma boa prática é encerrar cada fase turbulenta com uma revisão objetiva. Exemplo: O que deu certo, o que deu errado, quais sinais foram ignorados, quais medidas reduziram risco, quais rotinas devem permanecer. Dessa forma, o negócio sai mais forte, porque transforma instabilidade em aprendizado acumulado.
A estratégia vital!
Liderança em crise é a capacidade de manter direção quando o ambiente muda, sem confundir urgência com prioridade. Portanto, foco se sustenta com estabilização do essencial, comunicação clara, critérios de decisão e proteção da energia do time. Ian Cunha, atualmente superintendente geral, reforça que a crise não elimina a necessidade de estratégia, ela apenas torna a disciplina mais visível. Se você fizer menos com mais intenção, sua empresa atravessa o caos com coerência e sai do outro lado com mais maturidade operacional.
Autor: Astolpho Frederick Gabão

