O Ministério de Minas e Energia incluiu o Bipolo Nordeste II na edição de 2026 do Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica (POTEE). O projeto foi desenvolvido a partir de estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e é considerado estratégico para ampliar a integração elétrica entre o Nordeste e outras regiões do Brasil.
A proposta prevê uma nova interligação em corrente contínua entre o Nordeste e o Sudeste, com terminal planejado para a subestação de Angicos, no Rio Grande do Norte. A localização coloca o estado próximo de importantes áreas de geração eólica e solar, justamente em uma região que tem registrado forte expansão de empreendimentos renováveis.
De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética, o Bipolo Nordeste II utilizará a tecnologia HVDC-VSC, considerada inédita no Sistema Interligado Nacional (SIN) para um sistema desse tipo. A solução permite controlar com maior precisão o fluxo de potência e pode aumentar a flexibilidade da operação da rede.
Projeto busca reforçar o escoamento da energia renovável
O principal papel do Bipolo Nordeste II será ampliar a capacidade de transporte de grandes blocos de eletricidade produzidos no Nordeste. A região concentra parte relevante da expansão brasileira em geração eólica e solar, mas o crescimento da oferta também exige novos investimentos em transmissão para reduzir limitações no escoamento da energia.
Em períodos de produção elevada, especialmente quando as condições de vento e de radiação solar são favoráveis, a rede precisa ter capacidade para levar a eletricidade até os centros de consumo. A nova interligação foi planejada para contribuir com esse processo e fortalecer a confiabilidade e a segurança operacional do SIN no longo prazo.
A tecnologia HVDC-VSC, sigla em inglês para transmissão em corrente contínua de alta tensão com conversores do tipo fonte de tensão, oferece recursos de controle sobre a direção e a intensidade do fluxo elétrico. Segundo o Ministério de Minas e Energia, essa característica pode facilitar a integração de fontes variáveis, como eólica e solar, ao sistema nacional.
Conexão terá mais de 2.500 quilômetros
A EPE informa que o empreendimento deverá contar com mais de 2.500 quilômetros de linhas de transmissão aéreas. O estudo também considera uma conexão de longa distância entre o Rio Grande do Norte e o Paraná, ampliando a capacidade de transferência de energia entre áreas de geração e os principais mercados consumidores do país.
Em publicação sobre a conclusão dos estudos, o Ministério de Minas e Energia informou que a recomendação faz parte do planejamento para um futuro leilão do sistema. A inclusão no POTEE representa uma etapa de planejamento e não significa, por si só, que a obra já esteja em operação ou que todas as fases de implantação tenham sido concluídas.
O projeto também foi dimensionado levando em conta o crescimento de cargas eletrointensivas. Entre os exemplos citados pelo MME estão empreendimentos de hidrogênio de baixo carbono e data centers, setores que demandam grande volume de eletricidade e podem se beneficiar de uma rede com maior capacidade e estabilidade.
Próximas etapas dependem do planejamento do setor
O Bipolo Nordeste II ainda precisa avançar pelas etapas posteriores previstas para projetos de transmissão. Entre elas estão os procedimentos de autorização, a estruturação do processo de licitação e a definição das condições para implantação e operação do empreendimento.
O MME abriu consulta pública sobre o POTEE 2026 para receber contribuições da sociedade. Conforme divulgado pelo órgão, a participação integra o processo de análise do plano e permite o envio de manifestações antes da consolidação das medidas previstas para o setor elétrico.
Para o Nordeste, a iniciativa representa a possibilidade de ampliar a infraestrutura necessária ao aproveitamento de sua produção renovável. A conexão a partir do Rio Grande do Norte pode reforçar a posição do estado na expansão da geração eólica e solar, além de criar condições para que novos projetos sejam avaliados com uma rede de transmissão mais robusta.
Os efeitos econômicos, entretanto, dependerão da execução das etapas previstas e da entrada efetiva do sistema em operação. Por enquanto, o Bipolo Nordeste II permanece como um empreendimento de planejamento estratégico, inserido no esforço nacional para acompanhar o crescimento das energias renováveis e melhorar a integração do sistema elétrico brasileiro.
